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Os diferentes modelos de geração fotovoltaica

02 de Dezembro, 2015. Por Guilherme Farias

Como tudo nessa vida, não existe só uma maneira de usar a energia solar fotovoltaica em residências. Em todo o mundo, existem diferentes modelos econômicos para utilização deste tipo de energia. Continue lendo este post para conhecê-los.

 

Aqui no Brasil a forma estabelecida é Net Metering

NET METERING

A Resolução Normativa 482/2012 da ANEEL definiu o chamado Sistema de Compensação de Energia Elétrica, que nada mais é do que o Net Metering. Esse modelo, de maneira simples, define que a energia enviada para a rede elétrica é “armazenada” pela concessionária de energia, que devolve a energia quando você precisa utilizá-la. Basicamente, a concessionária age virtualmente como uma grande bateria.

No Net Metering não existe nenhuma troca financeira entre a concessionária e o dono da unidade geradora. Tudo é feito baseado em saldo de energia. Por isso, esse modelo não é visto como forma de incentivo ao uso de energia fotovoltaica. Por esse mesmo motivo, o Net Metering é o modelo mais adequado para ser utilizado uma vez que a energia fotovoltaica já esteja bem difundida numa área, já que os benefícios obtidos são diretamente atrelados à energia gerada, com o valor dessa energia sendo o mesmo da energia consumida.

Neste post comentamos mais a fundo sobre como funciona o Net Metering no Brasil. Passe lá para entender um pouco mais sobre o assunto. (Mas só depois que terminar de ler este post aqui, ok? :P )

Continuando...

TARIFA DE FEED-IN

Esse modelo é utilizado em vários países como forma de incentivar o uso de energia solar fotovoltaica (e outras fontes de energias renováveis também). Um exemplo é o Canadá, que em vários estados já implementa planos baseados nele. Um deles é o microFIT, no estado de Ontário. Lá, os sistemas participantes são limitados à 10kW de potência instalada por residência e o governo garante a compra da energia com tarifas que chegam a até 5 vezes o valor da tarifa comum.

Diferentemente do Net Metering, esse modelo define um preço para a energia fotovoltaica que você está gerando. Então, essencialmente, você está vendendo a energia que está gerando, e recebendo dinheiro por isso. E o melhor: o valor que você recebe pela energia entregue à rede elétrica pode ser até maior que o valor que você paga pela energia que consome. Parece muito bom pra ser verdade, certo? A verdade é que é muito bom mesmo. 

Esse modelo, como podemos facilmente perceber, não é economicamente viável a longo prazo. Ele é um modelo utilizado para a difusão do uso de energias renováveis. Foi esse modelo que tornou a Alemanha um dos países líderes em geração fotovoltaica. A tendência é que, após o incentivo tenha cumprido seu papel, haja um retrocesso para modelos mais conservadores, como o Net Metering.

PPA

A principal dificuldade que existe hoje para a instalação dos sistemas fotovoltaicos é o alto investimento inicial. Uma das formas de eliminar esse problema é a implantação do PPA, ou Power Purchase Agreement. Nesse modelo você não compra o sistema de geração de energia, mas usufrui da energia gerada por ele. A proposta é que o sistema seja instalado em sua residência sem custo e você pague somente pela energia gerada, como já faz para a concessionária, mas a um preço menor e para a empresa que instalou o sistema.

O maior exemplo de sucesso em PPA é a empresa americana SolarCity, que oferece esse serviço em partes dos Estados Unidos. Lá ela oferece contratos de fidelidade que variam de 10 a 20 anos, tempo em que o contratante compra toda a energia gerada pelo sistema a uma tarifa pré-definida por contrato. Empresas que oferecem esse serviço são conhecidas como Solar Service Providers, já que oferecem o serviço de fornecimento de energia sem a venda agregada do equipamento.

No Brasil este modelo é proibido, já que o fornecimento de energia é regido por concessões e somente pode ser feito pelas empresas detentoras do direito de fornecimento de energia elétrica naquela região. Existe uma exceção aos casos onde vende-se energia no chamado mercado livre, que possuí suas próprias regras e é gerido pela CEEE, mas que é destinado apenas a grandes consumidores.

LEASING

Outra forma de eliminar o alto investimento inicial são os contratos de Leasing, que definem uma parcela paga mensalmente ao longo de um período. Ao fim do acordo, existe a opção de compra, mas esta não é obrigatória. A vantagem do Leasing em relação à compra, ou um financiamento de longo prazo, é que a manutenção do sistema fica a cargo da empresa responsável.

Como no PPA, a posse do sistema fotovoltaico é da empresa e não do contratante. Caso a opção de compra não seja realizada, a empresa retira o equipamento no fim do contrato, podendo utilizá-lo em uma outra instalação.

MODELOS BASEADOS NA ECONOMIA DE MULTIDÕES

Lembram do Uber, que esteve nos noticiários nos últimos meses? O Uber é um exemplo de serviço baseado na Economia de Multidões. A ideia é simples: juntar várias pessoas que necessitam de um serviço e se beneficiar do menor custo advindo da escalabilidade.

Para os sistemas de geração fotovoltaica é a mesma coisa. Uma planta de geração grande é mais barata que várias plantas de geração que somadas tenham o mesmo porte. A grande questão desse modelo é: existe a possibilidade de ratear a energia gerada de forma concentrada para vários consumidores diferentes?

Infelizmente, a resposta no Brasil é não (para os otimistas, como nós, a resposta é “ainda não”). Em outros países, como nos EUA e na Inglaterra, é possível que uma pessoa compre somente parte de uma usina fotovoltaica, como se estivesse comprando ações de alguma empresa. Então, essa pessoa irá receber créditos na sua conta de energia, diminuindo o seu consumo, como se ela tivesse instalado o sistema em sua própria casa, mas pagando mais barato por isso.

Apesar de alguns desses modelos ainda não existirem no Brasil, a própria regulamentação da pequena geração fotovoltaica é recente e está sob revisão. Ou seja, ainda há muito espaço para melhorias e incentivos.

 

 

Gostou de entender um pouco mais sobre como a energia solar é utilizada em outros lugares do mundo? Continue ligado em nosso blog para mais posts assim. Aproveite, entre no nosso site e peça um orçamento para a sua residência. É online e gratuito!

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