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Qual a área que precisamos para atender o mundo todo com energia solar?

19 de Maio, 2016. Por Cláudio Martins

A energia solar tem um potencial inacreditável. Se somarmos a quantidade de energia proveniente do Sol que é absorvida pela atmosfera, terra e oceanos do planeta a cada ano, chegamos a uma marca de cerca de 3.850.000 exajoules, ou seja, 3.850.000.000.000.000.000 joules. Sabe o que isso significa? Muitos joules!! :D

Para colocar este número em termos mais amigáveis, esta quantidade de energia é equivalente a:

  • 2,7 milhões de terremotos de mesma intensidade ao terremoto Tohoku, que ocorreu em 2011 no Japão;
  • 40.000 vezes o total de energia consumida nos Estados Unidos;
  • 8.000 vezes o consumo total do mundo inteiro.

Ou seja: uma hora de Sol produz mais energia do que se consome em todo mundo durante um ano inteiro!

Infelizmente, é impossível aproveitar toda esta energia. No entanto, a Land Art Generator Initiative fez um estudo bastante interessante sobre a superfície total que seria necessária para alimentar todo o planeta em 2030, usando nada além de energia solar. Apesar do estudo ter sido realizado em 2009, as tendências gerais permanecem as mesmas.

 

Clique aqui para baixar o mapa em alta resolução. 

 Entre 2008 e 2030, o consumo de energia no mundo aumentará cerca de 44% e, para atender toda esta demanda, seria necessário colocar painéis solares ao longo de 496.805 km², o que é aproximadamente igual à área da Espanha. A princípio, parece uma área extremamente grande e de fato é. Mas devemos colocar isto em perspectiva.

Você pode ver que as melhores áreas para coleta de energia solar são os desertos do mundo. Somente o deserto do Saara possui 9.064.958 quilômetros quadrados, ou seja, 18 vezes a área total necessária para abastecer o consumo de energia mundial em 2030. Obviamente que concentrar todos os painéis em uma única região é inviável por uma série de razões. E se distribuíssemos por várias partes ao redor do mundo?

 Se dividirmos estes painéis em 5.000 instalações em diversos países (uma média de 25 usinas por país), cada usina mediria menos que 10 km para cada lado, considerando que são quadradas. O Solar Star Projects, conjunto de duas usinas localizadas em Los Angeles e que formam hoje o maior complexo fotovoltaico do planeta, ocupa uma área de 13.000 km², ou seja, aproximadamente 114 km para cada lado.

Embora as instalações solares teóricas continuem parecendo muito grandes, o esforço necessário para construí-las não seria tão grande assim. Quer saber por quê?

As Nações Unidas estimam que 170.000 quilômetros quadrados de floresta são destruídos a cada ano. Se nos dedicarmos a construir usinas solares no mesmo ritmo, nosso trabalho estaria finalizado em apenas 3 anos. Além disso, a China tem 1,2 milhões de quilômetros quadrados de terras agrícolas produtivas, mais de duas vezes e meia a quantidade de área que seria necessária para alimentar o mundo inteiro com energia limpa em 2030.

Quer outro exemplo? Um campo de golfe típico abrange cerca de um quilômetro quadrado. Temos cerca de 40.000 deles espalhados ao redor de mundo, e pode ter certeza que todos estão sendo meticulosamente cuidados. Se fizéssemos o mesmo com parques solares, atingiríamos quase 10% do nosso objetivo.

A malha rodoviária dos EUA, construída inteiramente entre 1956 e 1991 – 35 anos -, ocupa uma área de 94.000 quilômetros quadrados, ou seja, 20% da área total para atender a demanda energética do mundo em 2030, sendo que os EUA consomem aproximadamente 20% da energia mundial. Se todas as nações adotassem um programa governamental similar ao programa rodoviário dos EUA, nós poderíamos finalizar a infraestrutura necessária para atender o consumo do planeta com energia limpa em 20 a 40 anos.

É claro que ninguém está sugerindo a criação de uma espécie de “monocultura de energia limpa”. O futuro da energia verde, sem dúvida, inclui muitas fontes, como energia eólica e solar, mas também a energia dos oceanos, geotérmica, hidroelétrica, etc. Mas, ainda assim, esse exercício é útil, pois coloca as coisas em perspectiva e nos mostra que, embora a escala seja enorme, não é muito maior do que um monte de outras coisas já feitas pelo homem.

Aqui na Enova estamos fazendo a nossa parte, uma casa por vez. Se tiver a oportunidade, comece a fazer a sua você também!

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