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Um guia definitivo para ter energia solar em casa

13 de Setembro, 2015. Por Cláudio Martins

O interesse por energia solar aumentou muito nos últimos anos, principalmente pela queda nos custos dos equipamentos e a alta no preço da energia. No entanto, muitas pessoas ainda desconhecem os procedimentos legais para se tornar um micro ou miniprodutor de energia elétrica.

Como já discutimos neste artigo aqui do blog, a energia solar pode ser utilizada junto com a companhia de eletricidade de sua cidade ou completamente independente dela. O passo a passo abaixo é para aqueles que optarem por não usar baterias em seu sistema ( muito provavelmente seja esse o seu caso!).

UM POUCO DE INFORMAÇÃO

Antes de pegar o telefone ou navegar na internet em busca de empresas especializadas, algumas informações são importantes para que você possa entender melhor as propostas que serão apresentadas.

Entenda sua conta de luz

 

 

Ah, se eu vou passar a gerar minha própria energia, então não precisarei mais pagar a conta de luz?”

Aqui na Enova a gente escuta muito (muito mesmo!) essa pergunta. E se você também se pergunta isso, não se preocupe: é perfeitamente normal. A dúvida acontece porque é comum achar que todos os valores presentes na conta de luz estão diretamente relacionados com o consumo de energia e, ao deixarmos de consumir da rede pública, também deixaremos de pagar estes valores.

No entanto, a conta de luz também inclui alguns tributos e encargos que, mesmo estando relacionados com o consumo de energia, não deixarão de existir mesmo se você sair de férias durante um mês com sua família e deixar todos os aparelhos elétricos de sua casa desligados.

Qual o consumo médio?

O consumo de energia de sua casa não é o mesmo em todos os meses. Se você tem filhos, sabe muito bem que nos meses de férias a conta de luz vem mais alta. Mas se você costuma viajar com a família nesses períodos, então o efeito é o contrário: sua conta costuma vir mais baixa. Já nos meses de verão, a conta é sempre maior do que nos meses de inverno, devido ao uso mais intenso dos aparelhos de ar-condicionado.

Ao planejar quanto de energia pretende gerar com seu sistema é importante entender qual o seu consumo médio. Em geral, esta informação já está presente na sua conta, mas caso não esteja, basta somar quanto consumiu de energia (em kWh) nos últimos 06 a 12 meses e dividir pelo número de meses.

“Mas o que acontece no mês que meu consumo é maior do que a média ou menor do que a média? ”

Essa é outra dúvida comum. Nos meses que seu consumo é abaixo da média, toda a energia gerada pelo seu sistema e não consumida instantaneamente é emprestada para a rede pública e você acumula créditos. Esses créditos serão usados justamente nos meses que seu consumo estiver acima da média. Simples, não?! ;)

Quais os custos presentes na conta de luz?

Agora que você já entendeu qual é o consumo médio de energia de sua casa, vamos agora traçar um raio-x dos custos presentes na sua conta de luz.

Da mesma forma que a maioria dos itens de uma feira, a energia também é vendida no “quilo”. Sua unidade de medida é o quilowatt-hora, ou simplesmente kWh. E como acontece com as frutas, por exemplo, o “quilo” de energia também tem um preço, que é chamado de tarifa de energia. Essa tarifa que determina quanto você irá pagar pela energia consumida em um determinado mês e seu valor é dado em R$/kWh. Cada concessionária tem sua própria tarifa de energia, determinada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Além disso, a tarifa pode variar de acordo com a categoria a qual cada consumidor pertence.

Sobre a tarifa de energia incidem os seguintes impostos: ICMS (estadual), PIS e COFINS (federais). Estes impostos também variam de acordo com a concessionária e com a classe de consumo.

Além da tarifa de energia e dos impostos estaduais e federais, alguns encargos também estão presentes na conta de luz. O mais simples de todos é a Contribuição de Iluminação Pública (CIP), que é um encargo definido por cada município para investimentos na rede de iluminação pública da cidade. Por fim, temos a Bandeira Tarifária, que é uma cobrança realizada pelo Governo Federal de acordo com a situação energética do país.

Existe um custo que é de desconhecimento da maioria da população, mas muito importante para quem deseja gerar sua própria energia: o custo de disponibilidade. Trata-se de um valor mínimo cobrado pela companhia de energia para disponibilizar a rede elétrica para sua casa, mesmo que você não consuma energia. O custo de disponibilidade possui os seguintes valores:

  • 30 kWh para clientes monofásicos;
  • 50 kWh para clientes bifásicos e;
  • 100 kWh para consumidores trifásicos.

Por exemplo: imagine que sua residência seja trifásica e você saia de férias junto com sua família durante um mês inteiro, deixando ligado apenas alguns poucos aparelhos, como a geladeira e o stand-by da TV (o bom mesmo é desligar tudo!). Suponha que esse pequeno consumo represente algo em torno de 20 kWh no fim do mês. Nesse caso, a concessionária cobrará na conta de luz o valor equivalente a 100 kWh, referente ao custo de disponibilidade de um cliente trifásico. Caso o consumo registrado fosse de 120 kWh, por exemplo, o valor da conta de luz seria calculado sobre este consumo integralmente.

Onde posso instalar os painéis?

Agora que você já sabe quanto de energia deseja gerar com seu sistema fotovoltaico, é preciso calcular quantos painéis serão necessários. São inúmeras as variáveis que afetam esse cálculo e é por isso que o dimensionamento deve ser realizado por uma empresa especializada, com profissionais capacitados. Mas é possível fazer uma estimativa usando o Simule Enova, um simulador que permite que você descubra quantos painéis são necessários para a sua residência, a partir de dados básicos de sua conta de luz.

Os painéis necessários para gerar a energia que você deseja podem ser instalados de diversas maneiras. Na maioria das vezes, são instalados sobre os telhados das edificações, sendo fixados em estruturas metálicas especialmente projetadas para esse fim e que variam de acordo com o tipo de telha.

No entanto, há outras possibilidades. É comum em instalações em áreas abertas a colocação dos painéis em estruturas fixadas em solo, o que facilita a limpeza e chama bastante atenção. Também são comuns as instalações em laje, com fixação semelhante às montagens em solo.

Outras formas mais elaboradas de fixação também podem ser realizadas, como, por exemplo, instalação em balanço, estacionamento de carros, bicicletários, entre outros.

ENCONTRANDO A EMPRESA CERTA

Pronto, você já está bem informado e já conhece bem qual sua necessidade. Está na hora de encontrar a empresa certa para projetar e instalar seu sistema de energia solar.

Os painéis têm, em geral, garantia de 25 anos. Isso significa que você fará um investimento que irá lhe acompanhar durante boa parte de sua vida e os resultados obtidos dependem diretamente da qualidade do projeto e dos serviços. Portanto, pesquise bem antes de definir qual a melhor empresa para projetar e instalar seu sistema.

Desconfie de preços baixos demais ou altos demais. Faça uma pesquisa na internet sobre empresas que atendam sua região e busque referências sobre elas. Entre no site da empresa, veja seu portfólio e o depoimento dos clientes.

Verifique também no Portal Solar se a empresa está cadastrada. Este site reúne bastante informação sobre o setor de energia solar e exclui as empresas que executam mal trabalho.

Após pesquisar o suficiente, entre em contato com a empresa e solicite um orçamento. Normalmente as empresas oferecem uma estimativa de custos sem cobrar nada por isso. Aproveite esse momento para tirar suas dúvidas e conhecer um pouco sobre como é o atendimento ao cliente desta empresa.

Verifique também se todos os equipamentos atendam às normas do INMETRO ou às normas internacionais e se as estruturas de fixação são resistentes à corrosão.

IDENTIFICAÇÃO DAS NECESSIDADES E VISITA TÉCNICA

Ao solicitar um orçamento, é papel da empresa especializada identificar quais as suas necessidades. Além disso, a empresa deve se encarregar de identificar se há viabilidade técnica e econômica de realizar seu projeto.

Para a avaliação técnica, a empresa deve realizar uma visita ao local da futura instalação e levantar algumas informações adicionais, como espaço útil para fixação das placas, sombreamento, inclinação, possíveis interferências, etc.

As informações levantadas na visita técnica servem para a composição do orçamento definitivo e cálculo da estimativa de geração de seu sistema. A partir desses dados, é possível definir a viabilidade econômica do projeto. Normalmente são calculados o tempo de retorno do investimento e a economia total ao longo da garantia dos painéis. Peça à empresa estas estimativas e consulte-a sobre as premissas adotadas.

CONTRATAÇÃO

As empresas que trabalham com energia solar normalmente realizam o chamado contrato “turn-key” ou “chave-na-mão”, no qual se encarregam de realizar o projeto junto à concessionária de energia, o fornecimento de todos os equipamentos e materiais necessários, instalação do sistema e acompanhamento.

Abaixo estão listados alguns itens importantes de constar em contrato:

  • Todos os custos relacionados ao projeto, instalação, fornecimento de materiais, manutenção e monitoramento;
  • As garantias dos equipamentos e dos serviços. Apesar da garantia dos equipamentos serem dos respectivos fabricantes, a empresa contratada deve se encarregar de realizar a intermediação. Além disso, verifique se a empresa contratada dá alguma garantia sobre a expectativa de geração de seu sistema;
  • Formas de pagamento.

PROJETO E APROVAÇÃO

Com o contrato assinado, seu projeto começa a ser executado! Inicialmente, toda a documentação exigida pelas normas da concessionária de energia deve ser recolhida pela empresa contratada. De forma geral, essa documentação compreende:

  • Memorial descritivo do projeto;
  • Memória de cálculo do sistema de proteção;
  • Diagrama de instalação;
  • Formulário com dados do sistema de geração e do proprietário;
  • Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), no qual a empresa contratada se responsabiliza tecnicamente pelo projeto e instalação.

Estes documentos são submetidos à concessionária de energia, que tem até 30 dias para emitir o Parecer de Acesso, um documento que define se há viabilidade de instalação do sistema ou se a concessionária terá que realizar alguma melhoria na rede de distribuição. Caso haja necessidade de melhorias, os custos dos serviços são de responsabilidade da concessionária.

INSTALAÇÃO DO SISTEMA

Após a aprovação do projeto e emissão do Parecer, a empresa contratada pode realizar a instalação do sistema. Cada instalação é um novo projeto, mas seguem os seguintes passos gerais:

  • Preparação do local e descarga de material;
  • Instalação das estruturas de fixação;
  • Instalação dos painéis solares;
  • Cabeamento elétrico;
  • Instalação do inversor;
  • Instalação dos quadros de proteção;
  • Interligação com a rede e comissionamento do sistema.

O tempo de execução da instalação varia conforme a complexidade do projeto e as condições do local. Todos os serviços devem ser executados de acordo com as normas padrões vigentes, como a NR-35 (Norma de Segurança para Trabalho em Altura) e NR-10 (Norma de Segurança para Trabalho com Eletricidade). A empresa deve zelar pela segurança de sua equipe e das demais pessoas presentes no local da instalação.

VISTORIA

Finalizada a instalação e os testes do sistema, a empresa deve solicitar a vistoria. Nesta etapa, a concessionária de energia tem 15 dias para visitar o local da instalação e avaliar a conformidade do sistema com as normas vigentes, realizando alguns testes.

Esta etapa é de suma importância, pois a concessionária age como órgão fiscalizador da segurança da instalação e é uma ferramenta a mais para proteger o cliente. No entanto, aspectos relacionados com a qualidade dos serviços não serão avaliados, como o correto dimensionamento dos painéis, a geração real ou a qualidade dos materiais utilizados.

SUBSTITUIÇÃO DO MEDIDOR E ACORDO OPERACIONAL

Pronto, agora falta pouco. Projeto aprovado, sistema instalado e vistoria realizada. O último passo é a substituição do medidor de energia.

O medidor atual de sua casa, seja ele eletromecânico ou digital, mede apenas a quantidade de energia consumida por sua residência. Para que a energia produzida por seu sistema fotovoltaico seja computada como créditos para sua unidade consumidora, deve ser instalado um medidor bidirecional. Este medidor leva esse nome em virtude de sua capacidade de medir não apenas a energia que vem da rede pública e é consumida pela residência, mas também a energia produzida pela residência e consumida pela rede pública.

Um aviso importante: não é aconselhável ligar o sistema antes de ser realizada a substituição do medidor. Além de ser ilegal, os relógios digitais registram a energia produzida pelo gerador fotovoltaico e emprestado para a rede pública como consumo, o que eleva a conta de luz. Eu sei que a ansiedade é grande, mas a troca do medidor deve acontecer em até 7 dias após a vistoria. Aguarde só mais um pouquinho. :)

COMO ENTENDER A NOVA CONTA?

Agora sim! Você é um produtor de energia solar e começará a se beneficiar de todas as vantagens já no primeiro dia. A energia produzida por seu sistema será consumida por seus aparelhos elétricos, reduzindo a energia consumida da rede pública. Além disso, a energia que não for consumida será emprestada para a concessionária local e registrada no medidor, acumulando créditos na conta de luz.

E falando nela, como fica a nova conta?

Além das já existentes anteriormente, a nova fatura trará três novas informações:

  • O desconto na conta devido à devolução de energia para a concessionária;
  • O crédito acumulado no mês devido ao excesso de energia produzido;
  • O crédito total acumulado nos meses anteriores e o crédito a vencer no mês atual.

CONCLUSÃO

A maior parte dos procedimentos descritos nesse artigo devem ser realizados por uma empresa especializada em energia solar. No entanto, é de fundamental importância que você conheça qual o caminho a ser percorrido, para que possa escolher melhor a empresa que irá contratar e os prazos envolvidos no processo.

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